terça-feira, 11 de agosto de 2026

PROPOFOL na UTI - atenção!!

PROPOFOL E TRIGLICERÍDEOS: um alerta que todo intensivista precisa conhecer

O propofol é um dos sedativos mais usados na UTI, mas você sabia que ele pode elevar os triglicerídeos de forma silenciosa?

Um estudo de coorte publicado no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (2026) avaliou 100 pacientes críticos de trauma em uso de propofol por mais de 24h e com suporte nutricional. Os resultados chamam atenção:

🔴 25% dos pacientes desenvolveram hipertrigliceridemia (TG > 400 mg/dL) 🟠 4% tiveram hipertrigliceridemia grave (TG > 1000 mg/dL)

Qual o principal fator de risco? A dose de emulsão lipídica proveniente do propofol! Quem desenvolveu hipertrigliceridemia recebeu 0,48 g/kg/dia vs 0,28 g/kg/dia nos demais.

E tem mais: esses pacientes tinham mais inflamação (PCR mais alta), disfunção orgânica (creatinina mais elevada), prealbumina mais baixa e precisaram de mais dias de terapia nutricional.

O estudo sugere que, em quem desenvolve o quadro, há saturação da lipase lipoproteica — ou seja, o corpo não consegue mais "dar conta" da gordura infundida.

💡 Recomendação prática dos autores:

  • Dosar triglicerídeos antes de iniciar o propofol
  • Acompanhar com dosagens seriadas, idealmente a cada 48h
  • Monitorar com mais frequência pacientes com inflamação marcada, disfunção orgânica, TG basal > 300 mg/dL ou dieta enteral rica em gordura

Atenção redobrada para quem recebe doses mais altas de propofol e nutrição enteral/parenteral ao mesmo tempo. A prevenção começa no monitoramento!



📚 Fonte: Lemke ES et al. J Parenter Enteral Nutr. 2026;50:794-804.

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