sábado, 18 de abril de 2026

Nova Diretriz para Tratamento da Obesidade 2026

 O QUE MUDOU em 2026:

1. A diretriz amplia as indicações terapêuticas para além do IMC, incorporando a avaliação de complicações e da distribuição de gordura corporal".

Critérios já estabelecidos para o IMC, ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² na presença de comorbidades, são mantidos, no entanto, passa-se a admitir o início da farmacoterapia independentemente do IMC quando há aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura acima de 0,5, associado a doenças relacionadas à adiposidade

2. O tratamento farmacológico não é indicado para gestantes, lactantes ou mulheres que estejam tentando engravidar.

3. o tratamento deve ser iniciado precocemente, sem exigir período prévio exclusivamente com mudanças de estilo de vida, abordagem que pode ser contraproducente numa doença em que, segundo o documento, os pacientes tentam perder peso por seis anos em média antes de buscar acompanhamento médico.

4. Hierarquia terapêutica

A diretriz organiza as opções terapêuticas em faixas de potência com base na perda de peso média subtraída do placebo. O orlistate é o único medicamento de muito baixa potência disponível no Brasil, com perda em torno de 3%. Na faixa de baixa a média potência, com perdas entre 4% e 9,9%, estão sibutramina, naltrexona+bupropiona e liraglutida. 

Semaglutida e tirzepatida, com perdas iguais ou superiores a 10%, são classificadas como medicamentos de alta potência e devem ser priorizadas sempre que possível.

5. indicações específicas por comorbidade: semaglutida para doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida sem diabetes, MASH com fibrose hepática e osteoartrite de joelho; tirzepatida para apneia obstrutiva do sono moderada a grave. Ambas são recomendadas para insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

A sibutramina, por sua vez, é explicitamente contraindicada em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida e/ou diabetes mellitus tipo 2 associado a pelo menos um fator de risco cardiovascular.

6. Metas de tratamento

Para a maioria dos pacientes, a diretriz orienta considerar uma perda de peso de 10% ou mais, sempre com avaliação individualizada de benefícios e riscos. 

O documento detalha o que cada limiar representa clinicamente: perdas a partir de 5% já melhoram marcadores metabólicos, pressão arterial, sintomas depressivos, dor musculoesquelética e função sexual; a partir de 7%, reduz-se o risco de progressão para diabetes tipo 2; a partir de 10%, observam-se melhora da doença hepática esteatótica, da apneia do sono e da saúde mental, além de redução de eventos cardiovasculares. 

Em mulheres, perdas nessa magnitude também se associam à melhora da incontinência urinária e da disfunção ovariana.


FONTE: Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade – ABESO 2026. Dispon´vel em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Arrotando "enxofre" com as Canetas emagrecedoras

Pacientes em tratamento com as canetas emagrecedoras podem apresentar uma variedade de efeitos colaterais, desde problemas insignificantes até queixas gastrointestinais como diarreia, inchaço ou cólicas abdominais e cosntipação

Entre os efeitos colaterais, seus pacientes podem relatar algo desagradável e imprevisível: arrotos com "gosto de enxofre". 

Arrotos com "cheiro de enxofre" ou cheiro de enxofre ou "ovos podres” normalmente ocorrem com a digestão de alimentos ricos em enxofre, como proteínas e vegetais crucíferos.

A ligação entre as Canetas Emagrecedoras e gases sulfurosos

Os medicamentos análogos do GLP-1 podem aumentar a probabilidade de arrotos com sabor de enxofre, pois o esvaziamento gástrico demora mais quando se toma um medicamento desse tipo. 

Assim, proteínas e outros alimentos ricos em enxofre podem permanecer no estômago por mais tempo, causando arrotos e a eliminação de gases provenientes do conteúdo alimentar. Pacientes que já apresentam esvaziamento gástrico retardado por outros motivos ou que já sofrem de refluxo ácido podem ser mais propensos a esse sintoma.

O que fazer

1. Orientar aos paciente para que consumam as refeições com maior teor de proteína mais cedo no dia, para que haja tempo para a digestão antes de se deitarem, disse ela. 

2. Além disso, sugerir que comam mais devagar o que ajuda a sinalizar a saciedade diminuindo a probabilidade de comerem em excesso.







3. Deve-se reduzir o consumo de alimentos ricos em enxofre, ovos, brócolis e alho, evitar refrigerantes e álcool. Além disso, fazer refeições menores e mais frequentes, manter-se hidratado e tomar remédios de venda livre, como a simeticona (Luftal) ou antiácidos.

4. Ajustar a dose do agonista do receptor de GLP-1, pois a tolerabilidade gastrointestinal do GLP-1 RA é específica para a dose e a exposição; portanto, um controle cuidadoso do 'freio' gástrico é necessário.

5. Rastrear e tratar a SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado). Esses casos de eructação sulfurada persistente, juntamente com inchaço, diarreia ou desconforto abdominal, devem ser investigados mais a fundo através do teste respiratório e tratar a SIBO positiva com antibióticos apropriados e, quando necessário, suporte à motilidade intestinal.

FONTE: Medscape 2026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Desfazendo Mitos sobre as Canetas Emagrecedoras

 1. SUICÍDIO

Diversos relatos iniciais sugeriram que poderia haver um risco aumentado de suicídio com o uso de agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs). 

Uma pesquisa (metanálise recente de 27 ensaios clínicos randomizados) com GLP-1 RAs que registraram eventos de suicídio ou automutilação não mostrou aumento de risco


A incidência de eventos foi muito baixa nos grupos GLP-1 RA (0,047 por 100 pessoas-ano) e placebo (0,042 por 100 pessoas-ano), sem diferença estatisticamente significante (risco relativo, 0,76; IC 95%, 0,48-1,21; P = 0,25). 

Fonte: 

1. Suicide and Self-Harm Events With GLP-1 Receptor Agonists in Adults With Diabetes or Obesity. JAMA Psychiatry 2025;82;(9):888-895.


 2. PANCREATITE AGUDA

Havia preocupações sobre um possível aumento do risco de pancreatite com os agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs) devido a estudos iniciais em animais que sugeriam que as canetas emagrecedoras poderiam induzir hipertrofia das células acinares pancreáticas e secreções pancreáticas mais espessas. 




Chiang e colaboradores realizaram uma revisão sistemática e metanálise dos efeitos colaterais gastrointestinais dos GLP-1 RAs. Eles não encontraram aumento do risco de pancreatite, com um risco relativo de 0,96 (IC 95%, 0,67-1,38; P = 0,83).

Fonte:

1. Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists and Gastrointestinal Adverse Events: A Systematic Review and Meta-Analysis. Gastroenterology 2025; 169 (6): 1268-1281.

3. CÂNCER da TIRÓIDE

Os agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs) trazem um alerta na bula sobre a possibilidade de tumores de células C da tireoide, com base no aumento do risco desses tumores observado em estudos com ratos. O alerta afirma que esses medicamentos são contraindicados em pacientes com histórico pessoal de câncer medular da tiróide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. 

Também afirma que os pacientes devem ser orientados sobre o risco potencial de câncer medular da tireoide e os sintomas de tumores da tireoide. 

Há evidências de que isso seja um problema em estudos com humanos? 

Pasternak e seus colegas analisaram uma coorte escandinava de 145.000 pacientes que utilizavam agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs) e não encontraram aumento no risco de câncer de tireoide (razão de risco, 0,93; IC 95%, 0,66-1,31) ou câncer medular da tireoide (razão de risco, 1,19; IC 95%, 0,37-3,86) [1].


Um estudo retrospectivo com usuários de GLP-1 RAs nos EUA não encontrou aumento no risco de câncer na tiróide em comparação com usuários de inibidores de SGLT2, inibidores de DPP-4 ou sulfonilureias, com razões de risco inferiores a 1 [2]. 



Outra metanálise de 48 ensaios clínicos randomizados não demonstrou aumento estatisticamente significativo no risco de câncer de tireoide (razão de chances, 1,37; IC 95%, 0,82-2,31) [3].

Fonte:

1. Glucagon-like peptide 1 receptor agonist use and risk of thyroid cancer: Scandinavian cohort study. British Medical Journal 2024;385:e078225. 

2. Risk of Thyroid Tumors With GLP-1 Receptor Agonists: A Retrospective Cohort Study. Diabetes Care 2025;48(8):1386–1394.

3. Risk for Cancer With Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists and Dual Agonists: A Systematic Review and Meta-analysis. Annals of Internal Medicine 2025; 179(2). 

Mito: Os agonistas do receptor GLP-1 causam câncer de tireoide, aumentam o risco de suicídio e pancreatite. Embora precisemos continuar acompanhando estudos futuros para verificar se existem riscos a longo prazo, as evidências até o momento não corroboram essas preocupações iniciais.

Fonte: MedScape 2026


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Orientações Alimentares para a Saúde Cardiovascular 2026

A má qualidade da dieta está fortemente associada a um risco elevado de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares. 

A American Heart Association publicou em abril de 2026 um Guia para otimização da saúde cardiovascular com base na alimentação e diretrizes para redução do risco de doenças cardiovasculares.

Este resume as evidências disponíveis e fornece orientações contextuais sobre as principais características de padrões alimentares saudáveis ​​para o coração. 

O Guia enumera os benefícios indiretos da adoção de um padrão alimentar saudável para o coração em termos de adequação da ingestão de nutrientes e compatibilidade com outras diretrizes de redução do risco de doenças crônicas. 

As características de um padrão alimentar saudável para o coração incluem: 

(1) ajustar a ingestão e o gasto energético para atingir e manter um peso corporal saudável; 

(2) consumir muitas frutas e verduras e escolher uma grande variedade; 

(3) escolher alimentos feitos principalmente com grãos integrais em vez de grãos refinados; 

(4) escolher fontes saudáveis ​​de proteína; 

(5) escolher fontes de gorduras insaturadas em vez de fontes de gordura saturada; 

(6) escolher alimentos minimamente processados ​​em vez de alimentos ultraprocessados; 

(7) minimizar a ingestão de açúcares adicionados em bebidas e alimentos; 

(8) reduzir a ingestão de sódio, escolhendo alimentos com baixo teor de sódio e preparando os alimentos com pouco ou nenhum sal; e 

(9) se não consome álcool, não comece a consumir. Se consumir álcool, limite a ingestão.

FONTE: 

Lichtenstein AH et al. 2026 Dietary Guidance to Improve Cardiovascular Health: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation 2026;153:e00–e0.