MEDICAMENTOS QUE ROUBAM VITAMINA B1: um alerta que poucos conhecem
A deficiência de tiamina (vitamina B1) pode causar complicações graves — beribéri, encefalopatia de Wernicke e síndrome de Korsakoff — com risco de dano neurológico irreversível. E o pior: muitas vezes é causada por medicamentos e passa despercebida.
Um estudo de farmacovigilância publicado no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (2026) analisou 1.046 casos registrados no sistema da FDA (EUA) entre 2004 e 2024. Os achados merecem atenção:
🔴 46% dos casos levaram à hospitalização 🟠 10,5% foram ameaçadores à vida e 6,6% resultaram em morte
Os 5 medicamentos mais associados: 1️⃣ Furosemida (diurético) 2️⃣ Metformina (diabetes) 3️⃣ Fedratinibe (inibidor de JAK2) 4️⃣ Metronidazol (antibiótico) 5️⃣ Fluorouracil (quimioterápico)
No total, 38 medicamentos mostraram sinal de segurança consistente. Outros de destaque: trióxido de arsênio, torasemida, rabeprazol e hidroclorotiazida.
Como os remédios causam isso?
- 💧 Diuréticos (furosemida, HCTZ): aumentam a excreção urinária de B1
- 🧬 Metformina: bloqueia o transporte de tiamina no intestino e fígado
- 🦠 Metronidazol: age como antagonista da vitamina B1
- 🎯 Fedratinibe: inibe os transportadores de tiamina (por isso tem alerta de caixa preta)
- ⚗️ Fluorouracil: aumenta o consumo de B1 e bloqueia o ciclo de Krebs
⚠️ Importante: esses sinais não significam suspender o medicamento — mas reforçam a vigilância clínica e a consideração de monitoramento de tiamina em pacientes de risco, principalmente com sintomas neurológicos, vômitos recorrentes, perda de peso rápida ou uso prolongado.
💡 Mensagem prática: a deficiência de B1 por medicamento é subdiagnosticada. Reconhecer os gatilhos e monitorar pacientes de risco pode prevenir danos neurológicos permanentes.
📚 Fonte: Du X et al. J Parenter Enteral Nutr. 2026;50:727-735.