terça-feira, 11 de agosto de 2026

Remédios que "roubam" a vitamina B1

 MEDICAMENTOS QUE ROUBAM VITAMINA B1: um alerta que poucos conhecem

A deficiência de tiamina (vitamina B1) pode causar complicações graves — beribéri, encefalopatia de Wernicke e síndrome de Korsakoff — com risco de dano neurológico irreversível. E o pior: muitas vezes é causada por medicamentos e passa despercebida.

Um estudo de farmacovigilância publicado no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (2026) analisou 1.046 casos registrados no sistema da FDA (EUA) entre 2004 e 2024. Os achados merecem atenção:

🔴 46% dos casos levaram à hospitalização 🟠 10,5% foram ameaçadores à vida e 6,6% resultaram em morte

Os 5 medicamentos mais associados: 1️⃣ Furosemida (diurético) 2️⃣ Metformina (diabetes) 3️⃣ Fedratinibe (inibidor de JAK2) 4️⃣ Metronidazol (antibiótico) 5️⃣ Fluorouracil (quimioterápico)

No total, 38 medicamentos mostraram sinal de segurança consistente. Outros de destaque: trióxido de arsênio, torasemida, rabeprazol e hidroclorotiazida.

Como os remédios causam isso?

  • 💧 Diuréticos (furosemida, HCTZ): aumentam a excreção urinária de B1
  • 🧬 Metformina: bloqueia o transporte de tiamina no intestino e fígado
  • 🦠 Metronidazol: age como antagonista da vitamina B1
  • 🎯 Fedratinibe: inibe os transportadores de tiamina (por isso tem alerta de caixa preta)
  • ⚗️ Fluorouracil: aumenta o consumo de B1 e bloqueia o ciclo de Krebs

⚠️ Importante: esses sinais não significam suspender o medicamento — mas reforçam a vigilância clínica e a consideração de monitoramento de tiamina em pacientes de risco, principalmente com sintomas neurológicos, vômitos recorrentes, perda de peso rápida ou uso prolongado.

💡 Mensagem prática: a deficiência de B1 por medicamento é subdiagnosticada. Reconhecer os gatilhos e monitorar pacientes de risco pode prevenir danos neurológicos permanentes.

📚 Fonte: Du X et al. J Parenter Enteral Nutr. 2026;50:727-735.

PROPOFOL na UTI - atenção!!

PROPOFOL E TRIGLICERÍDEOS: um alerta que todo intensivista precisa conhecer

O propofol é um dos sedativos mais usados na UTI, mas você sabia que ele pode elevar os triglicerídeos de forma silenciosa?

Um estudo de coorte publicado no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (2026) avaliou 100 pacientes críticos de trauma em uso de propofol por mais de 24h e com suporte nutricional. Os resultados chamam atenção:

🔴 25% dos pacientes desenvolveram hipertrigliceridemia (TG > 400 mg/dL) 🟠 4% tiveram hipertrigliceridemia grave (TG > 1000 mg/dL)

Qual o principal fator de risco? A dose de emulsão lipídica proveniente do propofol! Quem desenvolveu hipertrigliceridemia recebeu 0,48 g/kg/dia vs 0,28 g/kg/dia nos demais.

E tem mais: esses pacientes tinham mais inflamação (PCR mais alta), disfunção orgânica (creatinina mais elevada), prealbumina mais baixa e precisaram de mais dias de terapia nutricional.

O estudo sugere que, em quem desenvolve o quadro, há saturação da lipase lipoproteica — ou seja, o corpo não consegue mais "dar conta" da gordura infundida.

💡 Recomendação prática dos autores:

  • Dosar triglicerídeos antes de iniciar o propofol
  • Acompanhar com dosagens seriadas, idealmente a cada 48h
  • Monitorar com mais frequência pacientes com inflamação marcada, disfunção orgânica, TG basal > 300 mg/dL ou dieta enteral rica em gordura

Atenção redobrada para quem recebe doses mais altas de propofol e nutrição enteral/parenteral ao mesmo tempo. A prevenção começa no monitoramento!

📚 Fonte: Lemke ES et al. J Parenter Enteral Nutr. 2026;50:794-804.