domingo, 19 de julho de 2026

Múltiplos Efeitos da Acupuntura

Não param de surgir pesquisas e novos estudos demostrando o extraordinario efeito da Acupuntura Médica nos pacientes. 

O artigo revisa as evidências de neuroimagem sobre os mecanismos da acupuntura, integrando achados de fMRI, EEG e PET. Os autores propõem um framework multi-nível que conecta:

  1. Estimulação periférica → inserção da agulha e sinalização aferente
  2. Modulação neuroquímica → liberação de opioides e monoaminas no tronco cerebral
  3. Reconfiguração de redes em grande escala → DMN (Default Mode Network), SN (Salience Network) e CAN (Central Autonomic Network)
  4. Estados neurofisiológicos e subjetivos → alteração em oscilações neurais, equilíbrio simpático/parassimpático e relaxamento subjetivo
  5. Desfechos clínicos → alívio de sintomas e melhora funcional.
Fonte: Liu S et al. Decoding the mechanisms of acupuncture by neuroimaging: an integrated review from networks to molecules. Frontiers in Human Neuroscience 2026;20:1704570.

Nova Droga antiobesidade: o novo dual agonista GLP-1/GLUCAGON

RESUMO DO ESTUDO  SYNCHRONIZE-1

RESUMO: A survodutida mostrou eficácia comparável ao Wegovy (semaglutida) em perda de peso, com benefício adicional na redução de gordura no fígado e visceral — o que a coloca como forte candidata para obesidade e MASH (esteato-hepatite).

DIFERENCIAL: O agonismo ao glucagon acelera o gasto energético e queima de gordura hepática — algo que agonistas GLP-1 puros não fazem. Isso explica a perda de gordura visceral e hepática mais expressiva.

Desenho do Estudo: estudo de fase 3, com duração de 76 semanas, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, realizado em 116 centros clínicos em 14 países.

Participantes: pelo menos 18 anos de idade, com um IMC de 30 ou superior — ou 27 ou superior com pelo menos uma complicação relacionada à obesidade (hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do  sono, doença cardiovascular ou disfunção metabólica – esteatohepatite associada [MASH]) — e pelo menos uma tentativa anterior de perda de peso relatada pelo participante sem sucesso. 

Critérios de exclusão: mudança no peso corporal de mais de 5% ou tratamento com um medicamento para obesidade nos últimos 3 meses, cirurgia bariátrica prévia ou planejada, um nível de hemoglobina glicada de 6,5% ou superior (≥48 mmol por mol), histórico de diabetes tipo 1 ou tipo 2, tratamento com medicamento hipoglicemiante nos 3 meses anteriores; obesidade decorrente de causa endocrinológica ou genética formalmente diagnosticada; presença de hipertensão não controlada (definida como pressão arterial sistólica ≥160 mmHg ou pressão arterial diastólica ≥100 mmHg na triagem) ou transtorno de humor não bem controlado (por exemplo, depressão instável); ocorrência de evento cardiovascular nos 3 meses anteriores; ou histórico de pancreatite, carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Randomização (aleatorização) e Tratamento: os participantes foram alocados aleatoriamente, em uma proporção de 1:1:1, 

* para receber survodutida em dose ajustada até 3,6 mg, 

* survodutida em dose ajustada até 6,0 mg ou 

* placebo, administrados por via subcutânea uma vez por semana. 

Desfechos: os dois desfechos primários foram a variação percentual do peso corporal e uma redução do peso corporal de pelo menos 5% da linha de base até a semana 76.

​​Os principais desfechos secundários foram reduções do peso corporal de pelo menos 10%, pelo menos 15% e pelo menos 20% da linha de base até a semana 76; a variação absoluta do peso corporal da linha de base até a semana 76; e a variação na circunferência da cintura, na pressão arterial sistólica e nas pontuações da medida de desfecho relatado pelo paciente sobre comportamento alimentar.


Figura 1. Efeitos da Survodutida no peso corporal.

A figura A mostra a variação percentual do peso corporal da linha de base até a semana 76, derivada de um modelo de análise de covariância para o estimando de regime de tratamento, o qual incorpora os efeitos de qualquer descontinuação precoce do survodutide ou placebo, do uso de medicamentos para obesidade proibidos pelo protocolo e de um período prolongado de escalonamento de dose. 
A figura B mostra a variação percentual do peso corporal de acordo com o número de semanas desde a randomização, derivada de uma análise com modelo misto para medidas repetidas, e a porcentagem de participantes que apresentaram redução de peso de pelo menos 5% da linha de base até a semana 76 — ambos para o estimando de eficácia, que representa o efeito hipotético do tratamento caso todos os participantes tivessem aderido ao regime do estudo designado e não tivessem recebido terapia proibida para obesidade, incorporando também os efeitos de qualquer fase prolongada de escalonamento de dose. As barras de erro nas figuras A e B indicam intervalos de confiança de 95%. As amplitudes dos intervalos de confiança na figura B não foram ajustadas para multiplicidade e não devem ser utilizadas para testes de hipóteses. 
A figura C mostra as porcentagens de participantes que apresentaram redução de peso de pelo menos 5%, pelo menos 10%, pelo menos 15% ou pelo menos 20% da linha de base até a semana 76 para o estimando de regime de tratamento.

Discussão: neste estudo internacional de fase 3, a survodutida — um agonista duplo dos receptores de glucagon e de GLP-1 — associou-se a reduções significativamente maiores do peso corporal em comparação com o placebo ao longo de um período de 76 semanas em adultos com obesidade sem diabetes. As reduções de peso corporal foram acompanhadas por reduções nos fatores de risco cardiometabólico e por melhorias na composição corporal e nos marcadores de saúde hepática.

Limitações do estudo: o presente ensaio tem vários pontos fortes e limitações. Incluiu participantes de vários regiões do mundo, com aproximadamente 32% de os participantes se identificando como não-brancos (embora apenas 7% dos participantes eram negros e 22% eram asiáticos, com algum desequilíbrio entre o julgamento dos grupos). Além disso, 40,6% dos participantes eram homens, e os homens geralmente têm menos peso redução do que mulheres com agonistas do receptor GLP-1. 
As limitações incluem a ausência de um comparador ativo, a descontinuação do regime do estudo por uma porcentagem substancial dos participantes (o que muito provavelmente motivou a diferença nos resultados para o estimando do regime de tratamento e o estimando de eficácia) e a exclusão de pessoas com hipertensão não controlada, eventos cardiovasculares recentes ou transtornos de humor não bem controlados (por exemplo, depressão instável). Além disso, a redução de peso no grupo placebo (média de 5,4%) foi muito superior aos 2% a 3% previstos com base em resultados de outros estudos, uma constatação que possivelmente reflete o acesso dos participantes a medicamentos para obesidade aprovados pela FDA ou por outro órgão regulador competente, ou a medicamentos manipulados.

Conclusão: neste estudo, a survodutida administrado uma vez por semana levou a reduções significativamente maiores no peso corporal do que o placebo em adultos com obesidade.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Quando não se deve usar as Canetas Emagrecedoras

Mais da metade dos pacientes diagnosticados com transtorno da compulsão alimentar e um terço dos pacientes com anorexia nervosa atípica relataram ter usado agonistas do receptor GLP-1, de acordo com um estudo recente publicado no JAMA Psychiatry .

A explosão do mercado de emagrecimento criou um "ambiente de risco em rápida evolução" para indivíduos que lutam contra transtornos alimentares.

Tem se argumentado que os GLP-1 podem ajudar pacientes com compulsão alimentar, porém qualquer medicamento usado para auxiliar na restrição alimentar nessa população apresenta riscos.

A pergunta que o médico deve fazer é: por que a pessoa quer começar a usar o GLP-1? Se ela está usando para restrição alimentar, para perder peso ou para tentar suprimir o apetite — que são todos efeitos inerentes ao medicamento — então isso será muito problemático… porque é exatamente isso que causa recaídas e mantém um transtorno alimentar.

FONTE: 

  1. Nicholas C Peiper, Jon E Zibbell, Andrew S LaJoie et al. U
se and Misuse of GLP-1 Receptor Agonists Among People With Eating Disorders. JAMA Psych 2026

Pontos-chave:

  • >50% dos casos de transtorno da compulsão alimentar periódica; aproximadamente 42% dos casos de anorexia atípica relataram uso de GLP-1.
  • 22% utilizam atualmente GLP-1s; aproximadamente 10% relataram comportamentos de uso indevido.
  • Aproximadamente 10% dos participantes do estudo usaram GLP-1s manipulados de fornecedores online.
  • Não existe um protocolo formal de triagem para GLP-1; sugere-se o uso do SCOFF (Screen for Disordered Eating) ou de um questionário de 5 itens sobre transtornos alimentares.
  • Recaída de transtornos alimentares é comum (aproximadamente 1/3); a supressão do apetite pelo GLP-1 pode desencadear uma recaída.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Por quê o fracassso com as Canetas Emagrecedoras?

Temos observado pacientes que não emagrecem suficientemente com as canetas emagrecedoras. Isso não é comum, mas oode ocorrer.

Gene PAM:

Uma explicação é o agora tão falado gene PAM. O gene PAM codifica a única enzima responsável pela amidação de hormônios bioativos, incluindo o GLP-1, e abriga dois alelos hipomórficos de risco para Diabetes mellitus tipo 2 (p.D563G e p.S539W). 

Um estudo publicado em 2026 demosntrou que pacientes portadores dos alelos p.S539W e p.D563G apresentaram reduções de 52% e 20%, respectivamente, na atividade sérica de amidação da PAM. Tanto os portadores humanos quanto os camundongos knockout para o PAM exibiram níveis elevados de GLP-1 circulante; no entanto, os portadores do alelo p.S539W mostraram uma redução de 18% na sensibilidade endógena ao GLP-1. Os camundongos PAM KO apresentaram esvaziamento gástrico acelerado e refratário à exendina-4, além de sinalização de cAMP prejudicada a jusante do receptor de GLP-1 no piloro. 

Nesta meta-análise clínica, os portadores da variante p.S539W apresentaram uma redução da HbA1c significativamente atenuada após a terapia com agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1RA) (− 0,69% vs. − 1,24% nos não portadores; p = 0,025), representando uma perda relativa de 44% no benefício glicêmico; apenas 11,5% dos portadores atingiram HbA1c < 7%, em comparação com 25,3% dos não portadores. Não foram observadas diferenças na resposta a sulfonilureias, metformina ou inibidores da DPP-4.

Assim, os pesquisadores da Universidade de Oxford, Inglaterra, concluíram que os alelos de risco para diabetes tipo 2 (DM2) no gene PAM (que codifica a enzima amidante) com função reduzida (hipomórficos) diminuem a atividade da enzima amidante, elevam os níveis circulantes de GLP-1 e prejudicam a sinalização pós-receptor do GLP-1, culminando em uma redução seletiva e clinicamente relevante da eficácia dos GLP-1RA



Os portadores dessa variante, que representam aproximadamente 10% da população, paradoxalmente apresentam níveis mais elevados de GLP-1, que, no entanto, sinalizam com menor eficácia.

Esses achados estabelecem o genótipo PAM como um novo determinante farmacogenômico da resposta aos GLP-1RA, apoiando sua incorporação em estratégias de medicina de precisão para otimizar a escolha do medicamento no manejo do DM2.

Anticorpos:

Os anticorpos são a outra forma clássica pela qual um medicamento peptídico pode falhar. No caso dos anticorpos, o sistema imunológico reconhece esse agente estranho e o neutraliza. Mas isso tem pouca relevância prática para os GLP-1 que prescrevemos hoje. 

Os agentes mais antigos à base de exendina, como a exenatida (Byetta), eram muito mais imunogênicos . Mas os análogos humanos modernos foram desenvolvidos para imitar o GLP-1 nativo e, portanto, evitam a neutralização imunológica. Os dados comprovam isso: anticorpos aparecem em cerca de metade dos pacientes que usam tirzepatida e não têm significado clínico nos resultados. Anticorpos contra medicamentos são reais, mas quase não têm influência sobre o paciente que está à sua frente.

Parei de Emagrecer: plateau

Até mesmo o platô na perda de peso é uma armadilha. O achatamento da curva de resposta à perda de peso por volta de 60 a 72 semanas não significa que o medicamento parou de funcionar. É o corpo  defendendo um ponto de equilíbrio. E o sinal revelador é o que acontece quando você para de tomar o medicamento: o peso retorna, prova de que a doença estava sendo controlada, não curada. Um platô significa que o medicamento está funcionando.


FONTE: 

1. Umapathysivam MM, Araldi E, Hastoy B et al. Type 2 diabetes risk alleles in peptidyl-glycine alpha-amidating monooxygenase influence GLP-1 levels and response to GLP-1 receptor agonists. Genome Med 2026;18, 40. 

2. Alber M. Most ‘GLP-1 Nonresponders’ Never Get a Fair Shot. Medscape Gastroenterology 2026.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Testosterona: pode ou não ?

O estudo TRASVERSE, publicado na prestigiosa revista britânica New England Journal of Medicine levantou especulações sobre o uso generalizado da Testosterona em idosos. 

Muitas canais de mídia social, na Internet, começaram a usar este estudo para defender um uso indiscriminado de anabolizantes em homens. 

O estudo TRAVERSE demonstrou a não inferioridade da terapia de reposição de testosterona (TRT) em relação ao placebo quanto à ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) em homens com hipogonadismo confirmado e risco cardiovascular elevado (HR 0,96; IC 95%: 0,78–1,17). 

Sinais de eventos não classificados como MACE — incluindo fibrilação atrial (3,1% vs. 2,4%), embolia pulmonar (2,0% vs. 1,5%) e lesão renal aguda (2,3% vs. 1,5%) — foram numericamente mais frequentes no grupo TRT, mas não atingiram significância estatística no estudo. 

Em contrapartida, grandes coortes observacionais relatam consistentemente associações estatisticamente significativas entre a TRT e a fibrilação atrial (FA) e o tromboembolismo venoso (TEV)

A eritrocitose foi o efeito adverso mais consistentemente observado (17,0% vs. 3,3%; p < 0,001). 

O hipogonadismo funcional secundário à obesidade ou à síndrome metabólica responde a intervenções no estilo de vida e ao uso de agonistas de GLP-1/GIP, com normalização dos níveis de testosterona em 81,4% dos casos aos 6 meses e em 89,5% aos 24 meses após a cirurgia bariátrica.

Assim, a TRT não aumenta o risco de MACE em homens com hipogonadismo orgânico confirmado, quando a dose é titulada para atingir níveis fisiológicos. 

Sinais de eventos não classificados como MACE justificam vigilância, e não contraindicação. 

A otimização metabólica deve preceder a TRT nos casos de hipogonadismo funcional. O monitoramento individualizado e a seleção criteriosa dos pacientes permanecem essenciais.

FONTE: 

1. Journal of Endocrinological Investigation 2026. https://doi.org/10.1007/s40618-026-02945-w

2. Lincoff AM et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy. N Engl J Med  2023;389(2):107–117.




quinta-feira, 18 de junho de 2026

O Tempo existe ?

Na Física clássica, o Tempo é a distância entre dois eventos diferentes, sendo aboluto, igual em todos os locais. Porém na Teoria da Relatividade, isso muda pois o Tempo é uma dimensão do Universo.

O tempo vai em um sentido, de trás para frente, do antes para o agora, não é mesmo? Isso é o que se convencionou chamar a FLECHA DO TEMPO

A FLECHA DO TEMPO desafia nossa compreensão do Universo e nos deixa perplexos ao tentarmos responder uma questão que parece simples, mas que é incrivelmente complexa: por que o tempo parece avançar em uma única direção, do passado para o futuro?

Isso é só uma percepção humana [2] ou uma característica fundamental do Universo ?

Por que os objetos caem no chao e não se levantam espontaneamente ou por que nos lembramos do que aconteceu ontem mas nunca do que ainda vai acontecer? Essa aparente direção do Tempo vai contra a simetria observada nas Leis da Física Clássica. Na Física Clássica, as leis que regem o movimento e as interações entre as partículas são, em sua essência, simétricas, em relação ao tempo.

Isso significa que, teoricamente não há um antes ou depois definidos. Tudo poderia se desenrolar tanto no passado quanto no futuro. Se o Tempo fosse uma linha que pudéssemos percorrer em qualquer direção deveríamos ser capazes de nos lembrar tanto do futuro quanto do passado.

No entanto, a realidade que vivenciamos diariamente parece violar essa simetria e a chave para entender essa quebra de simetria parece residir em um conceito fascinante da Física, a ENTROPIA [2]. 

ENTROPIA é uma medida da desordem e da falta de organização de um sistema.

De acordo com a segunda Lei da Termodinâmica, uma das leis mais fundamentais e inescapáveis da Física, a ENTROPIA tende a aumentar com o tempo em qualquer sistema isolado. Isso implica que o Universo, como um todo, tende apara um estado de maior desordem no futuro. É como se o tempo tivesse uma preferência por uma direção: uma seta que aponta sempre para a frente. 

Esse conceito de ENTROPIA é poderoso e impactante. Ele não só define a direção do tempo como também molda toda a nossa experiência de realidade. Imagine a ENTROPIA como uma medida quase invisível, mas presente em tudo ao nosso redor que dita como as coisas se desorganizam e se dispersam com o tempo. É impressionante como está simples medida de desordem pode influenciar nossa percepção do tempo e nos fazer ver o futuro como algo inevitável. Além disso, a ENTROPIA, esse indicador de desordem e caos, só pode crescer, nunca diminuir. Em outras palavras, uma vez que algo se desorganiza, pode não haver volta.

É como se o Universo estivesse seguindo um caminho irreversível em direção ao caos, uma jornada sem retorno. 

O Tempo, esse misterioso fluxo que nos acompanha ao longo de nossas vida só avança em uma direção, aquela em que a ENTROPIA cresce desenfreadamente. É como se o Tempo estivesse intrinsicamente ligado ao aumento da desordem no Universo. Imagine uma simples taça em uma mesa. Com o passar do tempo há sempre o risco que  alguém esbarre nela e a quebre. Como se o Caos estivesse sempre a espreita esperando qualquer oportunidade para desmontar as coisas. Quanto mais o tempo passa, maior o risco da taça terminar em pedaços no chão e o que acontece a seguir é ainda mais revelador. Uma vez que a taça se quebre, não importando quanto tempo passe, ela jamais se reconstruirá por si só. Como se o próprio tempo houvesse marcado a sua passagem deixando um selo permanente de desordem e destruição. Uma prova irrefutável de que a ENTROPIA só pode aumentar e nunca retroceder. Pelo menos do nosso ponto de vista. 

E essa não é apenas uma história de uma simples taça quebrada, mas uma Lei fundamental do Universo. Uma coisa permanece imutável. Não importa onde você esteja no Universo ou o que o seu relogio esteja marcando, o Tempo sempre vai para o futuro devido o Big Bang. Estedeu uma influencia e sentido ao Tempo, iniciando a Entropia, que sempre aumenta e nunca diminui. Essa é uma Lei geral do Universo, conhecida como a Segunda lei da Termodinâmica: a Entropia de um sistema nunca pode diminuir e o Universo é um grande sistema. A Entropia é tão poderosa que é a forma na qual entendemos a seta do Tempo.

A dona de casa conhece bem a ENTROPIA da cozinha de sua casa. A sujeira, a pilha de louças e a bagunça surgem cotidianamente como mágica, a não ser que um trabalho, um esforço contínuo de resistir a entropia reverta, propositalmente, esta tendência. É o que Moacir Godoy chama de NEGUENTROPIA.


Na saúde, ocorre exatamente assim. Se deixamos ao bem prazer, o corpo vai se sujando, ficando desleixado, sedentário, sem auto cuidado, sem regras, sem limitações da vontade, da gula, da preguiça e a doença se instala.

Para lutar contra a doença, é buscar a saúde, é preciso trabalho e esforço constante, a NEGUENTROPIA

Conforme o Tempo avança, a ENTROPIA do Universo só cresce, conduzindo inevitavelmente para um destino de Caos e desordem. Esta verdade impactante nos lembra da efemeridade da ordem e estrutura no vasto e misterioso Cosmos. É um pensamento ao mesmo tempo fascinante e inquietante pois nos leva a refletir sobre a fragilidade da ordem em um Universo em constante transformação.

O Caos está sempre a espreita e é justamente esta natureza imprevisível e desordenada que torna nosso Universo tão fascinante.

Outras Teorias propõem explicaçoes igualmente impressionantes sobre a FLECHA DO TEMPO. Uma delas é a interpretação de Múltiplos Mundos da Mecânica Quantica proposta por Hugh Everett em 1957 [2]. Ela sugere a existência de múltiplos Universos Paralelos. Há também Teorias baseadas na simetria CPT da Física de Partículas que exploram as propriedades fundamentais da matéria e da antimatéria oferecendo visões alterantivas. Segundo essa hipótese, nosso Universo pode não ser único. Podem existir Universos com propriedades físicas, leis e condições iniciais completamente distintas. 

A FLECHA DO TEMPO, neste contexto, se refere a direção em que o Tempo parece fluir em nosso Universo, sempre do passado para o futuro. No entanto, segundo a Teoria do Multiverso, poderiam existir outros Universos paralelos coexistindo com o nosso, cada qual com sua própria FLECHA DO TEMPO. Isso implicaria que alguns destes Universos poderiam ter o Tempo fluindo na direção oposta, do futuro para o passado ou até mesmo Universos onde o tempo seria cíclico, sem uma direção fixa. 

Outro conceito que sustenta a possibilidade de Múltiplos Universos é a Inflação Cósmica Inicial que teria ocorrido nos primórdios do Cosmos. Esse  processo poderia ter gerado bolhas de Universos em expansão, cada uma com suas próprias características e Leis físicas, evoluindo de forma independente.Esses Universos estariam além do nosso alcance observável, o que signfici que não podmos detectá-los diretamente. 


A Teoria dos muitos Mundos da mecânica quântica oferece outra perspectiva interessante. De acordo com a essa interpretação, a cada evento quântico - como a desintegração de um átomo radioativo - exemplificada no famoso experimento mental do gato de Schörindger, são criados múltiplos Universos, um para cada possível resultado. Dessa forma, haveria uma infinidade de Universos paralelos continuamente se ramificando conforme eventos quânticos ocorrem.

Apesar de fascinante, a ideia de múltiplos Universos paralelos permanece uma hipótese ainda não confirmada experimentalmente. Mas nos leva a uma questão ainda mais profunda: o que é realmente o Tempo?

Para Isaac Newton, o Tempo era uma magnitude absoluta. Já Einstein redefiniu o Tempo como uma quarta dimensão integrada ao espaço, que não é absoluta. Em sua Teoria Geral da Relatividade, o Tempo pode passar mais devagar ou mais rápido, dependendo da velocidade relativa entre o observador e o objeto observado. A mecânica quântica, por sua vez, sugere que o Tempo poderia estar em superposição de estados e que, em nosso mundo macroscópico, ele se ordena em uma direção devido a nossa biologia.

Essa percepção foi confirmada por cientistas que observaram como a Flecha do Tempo, que perebemos do passado ao futuro, se constrói em nossa mente como um quebra-cabeça. A Flecha do Tempo surge das interações entre nossos neurônios, ganhando intensidade com a aleatoriedade e se alinhando com nossa percepção da realidade em constante transformação. 

Isso nos leva a outra pergunta intrigante: será o Tempo uma ilusão criada pela nossa percepção ou um sinal de algo mais profundo e desconhecido. Alguns estudos indicam que a própria expnsao do Universo pode estar criando uma Flecha do Tempo direcionada para frente. Isso nos leva a pensar que haveria duas Flechas do Tempo, a Trmodinâmica, discutida acima, e a Cosmológica. Ambas, aparentemente, são compatíveis, porqie o Universo, desde o seu estado inicial de baixa Entropia, evolui expnadindo-se o que gera, por obvio, um aumento contínuo da Entropia. 

Mas, o que a expansão do Universo, tem a ver com o avanço do Tempo? A resposta está no fato de que a expansão do Universo reflete o fluxo do Tempo. O Universo se expande em uma direção específica, o que cria uma assimteria em sua evolução no Tempo. Essa assimetria é a essência da Flecha do Tempo Cosmológica que define a direção do Tempo como aquela em que o Universo se expande. Em certo sentido, podemos dizer que o Tempo avança porque o Universo se expande.  A expansão do Universo é irreversível gerando mudanças na Entropia e na distribuição da matéria no espaço-tempo. Esta conexão entre a expansão cósmica e a Flecha do Tempo nos leva a refletir sobre a relação intrínseca entre o Cosmos e o fluxo temporal, mostrando como ambos estão profundamente entrelaçados na história do Universo.

Agora imagene se, ao invés de expandir, o Universo começasse a se contrair: a flecha do Tempo cosmológica se inverteria. Isso levanta a questão: seria a expansão do Universo o verdadeiro motor que impulsiona o fluxo do Tempo? Senão pudéssemos medir nada em relação a qualquer outra coisa, o Tempo não existiria. Para Einstein, só existe aquilo que pode ser medido. E, para medir o Tempo, é preciso haver partículas com massa interagindo com outras partículas, incluindo até mesmo partícuals sem massa, como o bóson de Higgs. A ideia de que o Tempo emerge das interações no campo de Higgs foi explorado por diversos cientistas, incluindo Loius de Broglie, que propôs conceitos nesta linha, em 1.924. 

Mas se a interação das partículas realmente é a chave, e a nível quântico, podemos influenciá-las isso poderia significar que o passado, presente e futuro coexistem

É aqui que entra a Teoria do Bloco de Tempo. Segundo esta teoria, o Tempo é visto como uma dimenão espacial onde, passado, presente e futuro, são igualmente reais, coexistindo em um bloco fixo e imutável. Em outras palavras, tdos os momentos do Tempo existem simultaneamente em um quadro espaço-temporal congelado, em um fluxo ou mudança real no Tempo. Nesse contexto, a distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma ilusão. A Teoria do Bloco de Tempo sugere que o futuro já está predeterminado e, portanto, o livre arbítrio não existiria. As implicações disso são profundas: nossa compreensão do Tempo, da causalidade e da natureza do Universo como o conhecemos seria completamente alterada. 

Entretanto, esta Teoria parece entrar em conflito com a ideia da Retrocausalidade Quantica que propoem que, em nível quântic,o os efeitos podem influenciar suas causas. Em outras palavras, o fluxo normal de causa e efeito poderia se inverter, de forma que o futuro influenciasse o passado. Unindo a Teoria do Bloco de Tempo coma Retrocausalidade Quântica, vislumbranos um Universo atemporal de energia e informação, onde cada estado deve ser medido a outro. É como se estivéssemos moldando o nosso próprio passado, construindo a Terra e o Universo de que precisamos. 

Essas ideias sao levadas ainda mais longe por Stephen Hawking e o físico belga Thomas Hertog que sugeriram que o Universo nao exite de forma idependente, ms que as nossas obervações no presente ajudam a dar forma ao passado. Isso é o princípio de cima para baixo onde o passado ganha significado na medida que o observamos do presente. Esta perspectiva nos leva a teorias como a das cordas e a dos múltiplos universos, onde cada observação seleciona uma realidade entre as muitas possíveis, dando sentido ao nosso passado.

O Unverso está emergindo cosntantemente a partir de nossas observações e perguntas. Há menos de um século, víamos o Universo como algo estático. Depois, descobrimos a sua expansão. Agora, com o telescópio James Webb estamos observando o passado do Universo com uma clareza sem precedentes, e talvez futuros telescópios ainda reescrevam esse passado novamente. Assim, a questão sobre o início do Cosmos pode nao ter uma resposta única. Em vez de um princípio absoluto, o Universo talves tenha começado em uma superposição de estados, com inúmers condições iniciais possíveis. Nossa própria existência teria então selecionado, conscientemente ou não, certas condições desta vasta lista de possibilidades.

No fundo, nós poderíamos ser a soma de todas essas histórias e realidades, moldando o Universo a medida que o observamos. Embora as leis da Física e causalidade nos digam que isso pode parecer fantasia, a verdade é que o Universo nos intriga e nos supreende.

Assim como o espaço, o Tempo também é distorcido quando ele está próximo de um objeto com massa e é por isso que vemos dilatação temporal acontecendo com satélites de GPS. Outra coisa que torna o Tempo relativo é a velocidade na qual voce está. Dependendo da sua velocidade, ela vai passar de uma foram diferente: quanto mais rápido voce estiver, mais devagar o Tempo vai passaar. Ou seja, duas coisas podem influenciar a forma como experenciamos o Tempo. 

Na física, existe uma questão profunda: o tempo realmente existe como algo fundamental ou ele surge apenas a partir das mudanças que acontecem no Universo?

Essa dúvida aparece principalmente quando se tenta unir a Mecânica Quântica com a Relatividade Geral.

Na teoria chamada equação de Wheeler-DeWitt, que procura descrever o Universo inteiro, o tempo simplesmente não aparece. O Universo seria descrito como um estado único e "parado". Isso levanta a pergunta:

Como percebemos o tempo passando?

 O que os pesquisadores fizeram?

Eles criaram um experimento usando um condensado de Bose-Einstein, um estado especial da matéria obtido em temperaturas extremamente baixas.

O conjunto de átomos foi dividido em duas regiões:

  • uma região "escura", que não era observada;
  • uma região "clara", que era observada.

Os átomos podiam atravessar uma barreira entre essas duas regiões.

Esse sistema foi usado como um pequeno modelo ("miniuniverso") para estudar como o tempo poderia surgir naturalmente.

A principal ideia

Em vez de usar o relógio do laboratório, os pesquisadores tentaram medir o tempo usando apenas informações internas do próprio sistema.

Eles criaram um novo conceito chamado:

Tempo entrópico (Entropic Time).

Esse tempo depende da quantidade de entropia (grau de desordem) que é transferida entre as duas regiões.


O que descobriram?

Eles observaram que:

  • o tempo entrópico sempre avança;
  • ele nunca "anda para trás";
  • ele organiza corretamente todos os acontecimentos observados.

Isso significa que não é necessário um relógio externo para colocar os eventos na ordem correta.

O próprio sistema cria uma noção de tempo.


O que significa "seta do tempo"?

Na Física, quase todas as leis funcionam igualmente para frente ou para trás.

Mas nossa experiência mostra que:

  • lembramos do passado;
  • não lembramos do futuro;
  • um copo quebrado não volta espontaneamente a ser inteiro.

Essa direção preferencial recebe o nome de:

Seta do Tempo.

O estudo mostra que essa direção pode surgir naturalmente porque a entropia aumenta.


O papel da entropia

A entropia mede o grau de desordem.

Quando existe troca de entropia entre as duas partes do sistema:

  • o tempo "anda".

Quando essa troca para:

  • o tempo também para.

Segundo os autores:

sem fluxo de entropia não existe passagem de tempo.


O "Big Bang" e o "Big Crunch"

Durante o experimento:

  • quando os átomos começam a entrar na região observada, os autores chamam isso de "Big Bang";
  • quando todos retornam para a região escura, chamam de "Big Crunch".

Esses nomes são apenas uma analogia com a Cosmologia.


A equação de Schrödinger

Normalmente, a equação de Schrödinger usa o tempo comum.

Neste trabalho, os pesquisadores modificaram a equação para que ela utilize o tempo entrópico.

Eles verificaram que essa nova equação reproduz muito bem o comportamento observado no experimento.


O que isso NÃO significa

O artigo não prova que:

  • o Universo realmente funciona dessa maneira;
  • o tempo é apenas uma ilusão;
  • a teoria da gravidade quântica está resolvida.

O experimento apenas mostra que uma ideia discutida há décadas na física teórica pode ser simulada e testada em laboratório.


Importância científica

Até hoje, muitas propostas sobre a origem do tempo eram apenas matemáticas.

Este trabalho é importante porque oferece um sistema experimental onde essas hipóteses podem ser comparadas com medidas reais.

É um passo relevante para investigar questões fundamentais da gravidade quântica e da cosmologia.


Em uma frase

O estudo mostra que [4], em um sistema quântico cuidadosamente controlado, o tempo pode ser descrito como uma consequência do fluxo de entropia entre partes do sistema, sem a necessidade de um relógio externo, oferecendo uma maneira experimental de investigar uma das maiores questões da física moderna.

FONTE: 

1. Everett H. The Theory of The Universal Wave Function. In: Dewitt BS; Graham N (Eds.). The Many-Worlds Interpretation of Quantum Mechanics. Princeton: Princeton University Press, 2016, p. 1-140.

2. O Impressionante Paradoxo do Tempo Que Desafia a Física. Canal Desvende & Descubra. Acessado em 24 de junho de 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8VEw70KjXjQ.

3. A Ilusão do Tempo

4. "Testing the Problem of Time with Cold Atoms" (Giovanni Barontini, Physical Review Research, 2026).