Tradutor: Claudio L. Barbosa MD, MSc
Médico Católico: CRM-27.104
Mestre em Medicina Interna pela FAMERP-SP
Médico Nutrólogo (RQE 22.871)-Rede MaterDei de Saúde. Uberlândia-MG
Atualmente, continua-se a falar
muito sobre o Sínodo da Sinodalidade, embora num sentido que alguns renomados
especialistas no Vaticano, acreditam ser diferente daquele sugerido
anteriormente e promovido pelos cardeais Jean-Claude Hollerich (Luxemburgo) e Cardeal Mario Grech (Malta), bem como pelo caminho sinodal alemão, Der
Synodale Weg [1].
Comenta-se amplamente, em Roma,
que o Papa Leão XIV pretende que a sinodalidade seja mais um instrumento
consultivo e não mais deliberativo. Assim, o Sínodo seria um instrumento de
colaboração com a hierarquia eclesiástica e não mais uma espécie de parlamento
democrático que influenciaria o caráter magisterial e governante do sacerdócio
sacramental.
Em suma, não seria mais a tão alardeada nova igreja que, nas palavras do Cardeal Gehard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, seria diferente daquela fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. O fato é que se continua a falar em sinodalidade, um conceito que nunca foi claramente definido. O próprio Papa Leão XIV voltou ao assunto, embora tenha tido o cuidado de estabelecer alguns limites que nem sempre coincidem com o plano original de Papa Franscisco e, aliás, divergem em aspectos significativos.
Pode ser coincidência, ou melhor
providência, o fato de que recentemente muitas notícias falam sobre a igreja da
Inglaterra, ou seja, Anglicana, que se encontra numa crise tão profunda que
agora parece estar a beira do declínio. E muitos apontam o dedo para a origem
desta crise: a adoção, já na década de 1.950, de modelos sinodais, muitos
semelhantes aos defendidos hoje pelos segmentos mais radicais do progressismo
da Igreja Católica.
Gavin Ashenden, ex-capelão Real
Honorário da Rainha Elizabeth II e posteriormente convertido ao Catolicismo,
alertou em 2022 [2,3]:
"Como ex-anglicano já vi
este truque da Sinodalidade antes. Vi a destruição da Igreja da Inglaterra e
acredito que podemos oferecer alguns conselhos aos Católicos. O resultado do
processo sinodal dentro do anglicanismo foi divisão, desmoralização, empobrecimento
espiritual, incoêrencia teológica, diminuição da Fé, apostasia e uma
deterioração fatal da Igreja. Não queremos que isso aconteça também na Igreja
Católica".
Recentemente, muitas notícias enfatizam o colapso da Igreja Anglicana. Divisões internas dentro da Igreja da Inglaterra, particularmente em relação a ordenação de mulheres e a benção a casais do mesmo sexo, levaram a um fluxo constante de padres anglicanos para a Igreja Católica nas últimas décadas, relata o Jornal Londrino The Telegram News. Dezesseis bispos e mais de 700 Vigários anglicanos se converteram ao Catolicismo nos últimos 30 anos. Isso sem contar as centenas de milhares de fieís que retornaram a Igreja de Roma. Estudos recentes mostram que, hoje, na Grã Bretanha, o número de Católicos praticantes supera o de Anglicanos em 2 vezes ou seja, o dobro. No contexto atual, caracterizado pela chegada de uma mulher a liderança da Igreja Anglicana e pela controvérsia em curso sobre a moralidade sexual, muitos observadores acreditam que a Igreja da Inglaterra enfrenta uma profunda crise de identidade. Uma crise tão profunda que o jornal de Londres The Telegram pergunta: "A Igreja da Inglaterra está condenada a desaparecer?"
O que leva os anglicanos a se converterem é precisamente a estabilidade institucional da Igreja Católica e sua autoridade doutrinal. Esses são precisamente os dois elementos que os seguidores mais radicais da sinodalidade querem suprimir.
Neste ponto, o prof Julio Loredo pergunta: "É exatamente esse desastre que eles querem para a Igreja Católica? Por que persistem a propor modelos que se mostraram catastróficos em outros lugares? "Quando um cego guia outro cego, ambos cairão no buraco", advertiu Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas não é só a Igreja anglicana que sofre os efeitos catastróficos da sinodalidade. Temos tambem o exemplo da Igreja Católica na Alemanha [5], talvez o país onde os esquemas sinodais foram aplicados mais amplamente. O jornal alemão Neur Osnabrücker Zeitung informa que 46 igrejas foram fechadas em 2025 além das 66 já fechadas em 2024. O jornal fala de rápido declínio do catolicismo na Alemanha. O jornal Tagesschau [6], por sua vez, relata que a Igreja Católica, na Alemanha, está perdendo quase 400.000 fiéis por ano. "Os números são alarmantes, demonstrando que a Igreja está numa crise profunda" admite o arcebispo Georg Bätzing, presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha (DBK). Ele, como outros, no entanto, continuam a defender uma sinodalidade cada vez mais radical.
Velas? Bobagem. Um barco bom precisa, acima de tudo, de uma âncora forte.
"Seria ousado perguntar, neste caso, até onde vai a negligência e onde começa a má fé? Será possível que não estejamos vendo os resultados desastrosos que a proposta sinodal da igreja católica alemã vem causando. Não podemos aprender com os erros dos outros antes de repetí-los ?" [1].
A questão é mais pertinente visto que estudo após estudo está demonstrando que os setores mais dinâmicos da Igreja Católica, hoje, são precisamente aqueles inspirados por modelos e práticas opostos ao da sinodalidade. Isso se refere ao ressurgimento da Fé, especialmente entre os jovens, cada vez mais visível, em muitos países.
Há poucas semanas, o canal de televisão espanhol laSexta dedicou uma transmissão inteiramente focada em explicar o aumento da frequência a Missa tradicional. Não se trata de um detalhe insignificante. É antes um sinal de que um fenômeno que até recentemente era considerado marginal está começando a ganhar visibilidade suficiente para entrar no radar dos principais meios de comunicação.
Isso está em consonância com um estudo recente divulgado pelo Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS), da Espanha [7]. O estudo mostra uma crescente secularização da sociedade espanhol, com uma exceção: os jovens.
Uma reportagem da Infovaticana afirma: "os dados do CIS destacam um fato significativo: o declínio do catolicismo entre os jovens está diminuindo contrariamente a tendência geral" [8]. Em um cenário de crescente secularização, está surgindo uma geração que começa a reconsiderar a questão religiosa. Nesse contexto, afirma a Infovaticana, a fé católica está ressurgindo não tanto como um legado mas como uma escolha pessoal e consciente. Para muitos jovens, a religião está deixando de ser um hábito adquirido e se tornando uma resposta a necessidade de significado, comunidade e estabilidade em um cenário cultural instável. Os dados mostram uma evolução significativa. A fé católica não desapareceu entre os jovens. Está surgindo uma minoria de fiéis definida e consciente, em um sociedade que parece ter fechado as portas para a transcendência.
Finalmente, saiu mais uma pesquisa que mostra a gravidade da crise dentro da Igreja Católica e, por outro o renascimento que está acontecendo paralelamente. Quanto mais a Igreja tentou parecer-se com o mundo, mais o mundo parou de ouvir a Igreja. Os números falam com clareza.
Na França, de acordo com levantamento do Jornal La Croix, o número de monges e freiras caiu de 66.000 no ano 2.000 para apenas 22.00 em 2023, uma queda de quase 70% em 23 anos [9]. Mosteiros fecham a um ritmo alarmante, 2 a 3 por mês e a idade média dos religiosos já ultrapassa os 70 anos. A reportagem do jornal francês é reveladora: as vocações que mais desapareceram são as "apostólicas" e adaptadas ao mundo moderno, especialmente aquelas voltadas a serviços sociais já assumidos pelo Estado. Segundo os próprios especialistas citados pela matéria, os jovens não procuram na vida religiosa, aquilo que já encontram no mundo secular [11].
Em contraste, as comunidades que crescem são as de identidade clara, vida austera, liturgia mais tradicional e radicalidade espiritual. Carmelitas, Cistercienses, Dominicanos de linha clássica, mosteiros com hábito, clausura e canto gregoriano. Uma superiora resume com ironia: "As comunidades que funcionam são as do 3G em francês: véu, grade e gregoriano (voile, grille et grégorien)".
O mundo não se converte quando a Igreja o imita. A Igreja floresce quando é sinal de contradição, quando oferece algo que o mundo não pode dar: transcencência, sacrifício e verdade.
FONTE:
1. Loredo J. Fracasso Sinodal fecha Igrejas na Alemanha e causa extinção do Anglicanismo! - Direto de Roma. Instituto Plínio Correia de Oliveira. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=l9BWpCD-orU.
2. Ashenden G. The Synodal Way offers nothing more than 'quasi-Marxist content in a spiritual comfort blanket'. The Catholic Herald 2022. Disponível em: https://thecatholicherald.com/article/the-synodal-way-offers-nothing-more-than-quasi-marxist-content-in-a-spiritual-comfort-blanket.
3. Nazir-Ali M, Ashenden G. Anglican Converts warn of Synodal Perils. Disponível em: https://lightoftruth.in/anglican-converts-warn-of-synodal-perils/
4. Rowohlt A, Strack C. Deustsch Welle 2025. Alemanha: quando as igreja viram hotéis, moradias e até lojas. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/alemanha-quando-igrejas-viram-hot%C3%A9is-moradias-e-at%C3%A9-lojas/a-75345504
5. Gaudium Press 2024. Alemanha: uma Igreja que perde meio milhão de fiéis a cada ano. Disponível em: https://gaudiumpress.org/content/alemanha-uma-igreja-que-perde-meio-milhao-de-fieis-a-cada-ano/
6. Mehr als 400.000 Austritte aus katholischer Kirche. Tagesschau 2024. Disponível em: https://www.tagesschau.de/inland/kirchenaustritte-134.html.
7. La progresiva secularización de la sociedad española: identidad y práctica católica en las últimas décadas. Panorama Social 2025; 42: XX.
8. Infovaticana 2025. Datos del CIS revelan que el catolicismo se mantiene entre los jóvenes en España. Disponível em: https://infovaticana.com/2025/12/29/datos-del-cis-revelan-que-el-catolicismo-se-mantiene-entre-los-jovenes/
9. Rebora C, Vaublanc JV. LaCroix 2024. Disponível em: https://www.la-croix.com/religion/des-moines-et-pas-des-financiers-les-congregations-religieuses-face-a-l-appetit-des-investisseurs-20240826?utm_source=copilot.com
10. Chapp L. The Orwellian Synod. The Catholic World Report 2023. Disponível em: https://www.catholicworldreport.com/2023/07/20/the-orwellian-synod/
11. Instituto Plínio Correia de Oliveira 2026. Véu, Grade e Gregoriano: o Segredo das Vocações que crescem. Disponível em: https://www.youtube.com/shorts/N6Nawlp8cFU
Nenhum comentário:
Postar um comentário