sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Para que todos sejam um (Jo 17,21)

1. Papa São João XXIII 

Em sua célebre encíclica social Mater et Magistra (1961), o "Papa Bom" abordou as profundas divisões ideológicas que cindiam o mundo durante a Guerra Fria. Ele alertou que o erro das ideologias políticas modernas é tentar construir a ordem social sem Deus: [1]

"A futilidade de teorias políticas, econômicas e sociais que buscam o bem da sociedade ignorando ou combatendo a Deus está provada pela história recente. [...] As ideologias geram discórdia e ódio porque carecem de um fundamento moral autêntico. A verdadeira convivência social não se constrói com base em frentes ideológicas contrapostas, mas no respeito à dignidade humana e na justiça fundamentada na lei divina."
2. São João Paulo II (Papa)
O pontífice polonês foi um dos maiores críticos da instrumentalização política da fé e das divisões de classes estimuladas por teorias políticas materialistas. Na sua encíclica Centesimus Annus (1991), ao analisar a queda dos regimes totalitários na Europa, ele pontuou: [1, 2]
"A pretensão de haver descoberto uma fórmula científica perfeita para governar a sociedade destrói a própria convivência. As ideologias totalitárias e partidárias reduzem o homem a uma engrenagem e dividem a sociedade entre 'amigos e inimigos', fomentando uma cultura de conflito perpétuo. A democracia e a paz social não podem sobreviver se a política se transformar em uma guerra de frentes ideológicas cegas."

3. São Tomás Moro

Declarado o Padroeiro dos Governantes e Políticos por São João Paulo II, Tomás Moro viveu a dor da divisão política e religiosa em sua própria pele. Em sua obra mais famosa, Utopia (1516), e em suas cartas escritas na prisão antes de ser executado por se opor aos desmandos autocráticos do rei Henrique VIII, Moro dissertou sobre as ambições ideológicas e o partidarismo cortesão: [1, 2]
"Nas cortes e nas assembleias políticas, os homens frequentemente preferem defender as suas próprias facções e ideias preconcebidas do que a justiça real. O partidarismo cega os governantes e divide os cidadãos, fazendo com que o interesse de um grupo seja chamado falsamente de bem comum. Quando a ideologia ou a vontade de poder se sobrepõe à verdade e à consciência moral, a sociedade caminha para a tirania e para a desunião."
4. Papa São Pio X
No início do século XX, lidando com o surgimento de correntes modernistas e ideologias que tentavam reconfigurar a fé de acordo com cartilhas políticas, São Pio X escreveu a encíclica Notre Charge Apostolique (1910). Ele condenou o movimento francês Le Sillon, que tentava fundir o catolicismo com uma visão ideológica política radicalizada da época:
"Eles estão dividindo os católicos em facções políticas, sob o pretexto de justiça social, instilando nos corações a semente da desconfiança e da revolta. [...] Arrancam as almas da unidade da fé para jogá-las nas paixões das disputas partidárias. Não se deve moldar o Evangelho às formas políticas mutáveis do mundo, mas sim iluminar a política com as verdades perenes do Evangelho, promovendo a união e não o conflito de classes."
5. Papa Francisco
Embora as citações acima pertençam a santos canonizados, a reflexão mais contundente dos últimos anos sobre a polarização político-ideológica atual foi sintetizada pelo Papa Francisco (em continuidade ao magistério dos santos anteriores) durante as celebrações que marcaram os 60 anos do Concílio Vaticano II: [1]
"Quantas vezes se preferiu ser 'adeptos do próprio grupo' em vez de servos de todos, ser progressistas e conservadores em vez de irmãos e irmãs, 'de direita' ou 'de esquerda' mais do que ser de Jesus. [...] O inimigo quer a divisão e transforma a diversidade em oposição, e por isso a transforma em ideologias. Digamos não às ideologias e sim ao conjunto."

 

 

 

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