O estudo TRASVERSE, publicado na prestigiosa revista britânica New England Journal of Medicine levantou especulações sobre o uso generalizado da Testosterona em idosos.
Muitas canais de mídia social, na Internet, começaram a usar este estudo para defender um uso indiscriminado de anabolizantes em homens.
O estudo TRAVERSE demonstrou a não inferioridade da terapia de reposição de testosterona (TRT) em relação ao placebo quanto à ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) em homens com hipogonadismo confirmado e risco cardiovascular elevado (HR 0,96; IC 95%: 0,78–1,17).
Sinais de eventos não classificados como MACE — incluindo fibrilação atrial (3,1% vs. 2,4%), embolia pulmonar (2,0% vs. 1,5%) e lesão renal aguda (2,3% vs. 1,5%) — foram numericamente mais frequentes no grupo TRT, mas não atingiram significância estatística no estudo.
Em contrapartida, grandes coortes observacionais relatam consistentemente associações estatisticamente significativas entre a TRT e a fibrilação atrial (FA) e o tromboembolismo venoso (TEV).
A eritrocitose foi o efeito adverso mais consistentemente observado (17,0% vs. 3,3%; p < 0,001).
O hipogonadismo funcional secundário à obesidade ou à síndrome metabólica responde a intervenções no estilo de vida e ao uso de agonistas de GLP-1/GIP, com normalização dos níveis de testosterona em 81,4% dos casos aos 6 meses e em 89,5% aos 24 meses após a cirurgia bariátrica.
Assim, a TRT não aumenta o risco de MACE em homens com hipogonadismo orgânico confirmado, quando a dose é titulada para atingir níveis fisiológicos.
Sinais de eventos não classificados como MACE justificam vigilância, e não contraindicação.
A otimização metabólica deve preceder a TRT nos casos de hipogonadismo funcional. O monitoramento individualizado e a seleção criteriosa dos pacientes permanecem essenciais.
FONTE:
1. Journal of Endocrinological Investigation 2026. https://doi.org/10.1007/s40618-026-02945-w
2. Lincoff AM et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy. N Engl J Med 2023;389(2):107–117.

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