Meta análise publicada em 2026.
Dez estudos relataram os efeitos de acesso venoso central de inserção periférica (PICCs) e cateteres venosos centrais (CVCs) tunelizados na incidência de infecção de corrente sanguinea relacionada a cateteres centrais (CRBSI) com base no risco por paciente.
Observou-se que o uso do PICC associou-se a um risco significativamente menor de CRBSI em comparação com CVCs tunelizados (modelo de efeitos fixos: RR = 0,40, IC 95% 0,33–0,49; modelo de efeitos aleatórios: RR = 0,38, IC 95% 0,29–0,50; ambos p < 0,001) (Figura 2).
A taxa média de CRBSI foi de 0,77 por 1.000 dias de PICC (variação: 0,00–1,96 por 1.000 dias de PICC) e 1,01 por 1.000 dias de CVC tunelizado (variação: 0,41–1,93 por 1.000 dias de CVC tunelizado), indicando uma incidência consistentemente menor associada aos PICCs.
A análise de subgrupos por país mostrou resultados semelhantes na maioria das regiões, incluindo EUA, Espanha, Canadá, França e Dinamarca, sem diferenças significativas entre PICCs e CVCs tunelizados.
Em contraste, Itália e Polônia não demonstraram uma diferença estatisticamente significativa entre os dois tipos de cateter.
FIGURA 2 - gráfico da incidência de CRBSI entre os grupos de PICCs e cateteres tunelizadosA escolha entre PICCs e CVCs tunelizados para nutrição parenteral domiciliar continua sendo um tema de importante debate clínico.
Essa controvérsia surge das diferenças nos riscos de complicações, conforto do paciente e custo-efetividade. Portanto, determinar qual método de inserção do cateter proporciona melhores resultados é de importância crítica.
Nesta atual metanálise, descobriu-se que os PICCs estão associados a um menor risco de infecção da corrente sanguínea relacionada ao cateter (CRBSI) em comparação com os CVCs tunelizados em pacientes que recebem nutrição parenteral domiciliar.
O menor risco de CRBSI observado associado aos PICCs pode ser explicado por vários motivos plausíveis. Primeiro, a inserção periférica pode reduzir o risco de contaminação do procedimento, pois o local da punção é mais acessível e mais fácil de manter assepticamente.
Segundo, a colocação do PICC é geralmente menos invasiva e frequentemente realizada à beira do leito com auxílio de ultrassom, o que tem sido associados a menos complicações relacionadas à inserção e tempos de procedimento mais curtos — fatores que podem reduzir o risco de infecção.
Além disso, as características do design do cateter podem contribuir para diferenças no risco de infecção da corrente sanguínea relacionada ao cateter (CRBSI). Os cateteres PICC usados para nutrição parenteral domiciliar são mais frequentemente de lúmen único e de menor diâmetro, características que foram associadas a menores taxas de colonização intraluminal (2 3).
No entanto, os cateteres venosos centrais tunelizados são mais frequentemente selecionados para pacientes com maior gravidade da doença, acesso venoso periférico precário ou terapia prolongada ou complexa prevista. Como a maioria dos estudos incluídos foi observacional e não apresentou ajuste para gravidade da doença, indicação do cateter e estado funcional, não se pode excluir a presença de fatores de confusão residuais.
Embora os resultados desta meta-análise indiquem que os PICCs podem estar associados a um menor risco de infecção da corrente sanguínea relacionada ao cateter (CRBSI) em comparação com os cateteres venosos centrais tunelizados em pacientes recebendo nutrição parenteral domiciliar, os estudos disponíveis são observacionais, apresentando um risco substancial de viés e fatores de confusão residuais, o que levou a uma certeza muito baixa das evidências.
Ensaios clínicos randomizados controlados de alta qualidade e bem delineados, com definições padronizadas de CRBSI e relato abrangente de variáveis relacionadas ao cateter são urgentemente necessários para confirmar esses achados e orientar estratégias ideais de acesso vascular no cuidado com nutrição parenteral domiciliar.
Fonte:
1. Zheng Y-L, Wang Y, Qi S-P, Zhang W and Lin P-Y. Comparison of catheter-related bloodstream infection between peripherally inserted central catheters and tunneled central venous catheters in patients receiving home parenteral nutrition: a meta-analysis. Front. Nutr. 2026;13:174241.
2. Reynolds H, Gowardman J, Woods C. Care bundles and peripheral arterial catheters. Br J Nurs. 2024;33:S34–41.
3. Vilao A, Castro C, Fernandes JB. Nursing interventions to prevent complications in patients with peripherally inserted central catheters: a scoping review. J Clin Med. 2024;14:89.



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